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por Vânia, em 27.09.12

A nova vida, numa casinha emprestada

A adaptação não tem sido difícil, mas a vida continua sem estar fácil. A situação não é a melhor, mas também podia ser pior. Continuo desempregada, a ir a entrevistas, mas basicamente só pedem vendedores, a ganhar à comissão, sem qualquer tipo de rede. Cheguei a ir acompanhar um dia numa empresa, que começou em Guimarães às 10h00 e terminou com a minha chegada a Braga às 21h00. Venda de telecomunicações porta a porta. Deu para ver que o mercado está saturado. Não havia ordenado. Apenas comissão. Não havia carro da empresa e as deslocações abrangiam grandes áreas. Não havia horas de saída, nem de almoço.

Não peço propriamente um trabalho igual ao que eu tinha. Sei que o que tinha era bom e que desses já não há. Aliás, dois meses depois de me terem mandado embora, fiquei a saber que o local onde aprendi tudo o que sei sobre jornalismo, encerrou as portas. Apenas quero um sítio que me dê alguma segurança e que não esteja necessariamente dependente da má disposição de alguém que vem abrir a porta a um vendedor e que é permanentemente chateado com os ditos quase todos os dias.

Não peço sequer para ganhar o mesmo. Também sei que isso já não existe, que os novos ordenados se regem agora pelo ordenado mínimo. Tanto me faz se sou caixa, se estou a repor stocks, se estou à secretária ou num armazém. Quero é trabalhar, porque tenho uma filha e contas para pagar que não se vão embora.

 

A casa onde estamos não é a melhor, mas de momento não a estamos a pagar e isso é a única coisa boa que tem. A localização também não é má. Em principio, está previsto para o dia 1 de Dezembro, mudarmos para outra, com muito melhores condições, mas já com renda. Fica ao fundo da rua. Não quisemos mudar o local. É um T3, com cozinha equipada, sala com lareira, garagem e arrumos, por um valor que nunca encontraríamos no Algarve.

 

A Teresa adaptou-se de forma excelente à escola. Foi para um jardim infantil, de uma IPSS, tal como a anterior, mas desta vez sem conotação religiosa. Custou-nos mais a nós que a ela. Entrou para a nova escola em Julho. Nunca ficou a chorar. Quer sempre ir e vai para a escola a correr, feliz da vida. Não fala da escola antiga, da educadora ou dos amigos. É como se nunca tivesse existido. Na última quinzena de Julho fez praia com a escola e adorou. Este ano continua a correr muito bem. Já arranjou um namorado e um apaixonado. Gostamos de a ver feliz assim.

Ainda não nos adaptamos nós à escola. Às regras novas. Aqui é obrigatório adquirir as batas. São todas iguais. Assim tivemos que pagar 50€ por duas batas, chapeu e duas t-shirts (que vão ser usadas na praia, no Verão). As batas são mudadas duas vezes na semana.

Tivemos de mandar uma caixa de benuron para a escola, ao contrário da anterior, em que eles davam o benuron com a nossa autorização mas nunca tivemos de o adquirir. Foram pedidos dois dossiers. Um para os trabalhos e outro para guardar as avaliações. Sim, aqui há avaliações e reuniões. E outras burocracias que me fazem imensa confusão. Não podemos entrar na sala das crianças. Nunca. Ou seja, os pais até às 9h30 deixam os meninos na sala da televisão ou no refeitório, mas nunca sobem a sala. Só podemos ir buscar a partir das 16h30 e vamos ao refeitório ou sala de TV.

Sinto falta de falar com a educadora e saber o que fizeram naquele dia. De acompanhar melhor o que fazem. Pagamos bem mais por esta escola do que na outra. A outra escola era mais familiar, embora o número de meninos fosse o mesmo. Sinto que a Teresa regrediu em algumas coisas. Na outra escola comia sozinha, aqui dão-lhes a comida. Os meninos vão de xuxa e de mantinha ou o que for para lhes dar conforto. Na escola dela isso já não existia desde que passaram para o 2º ano da creche. Resisti bastante a mandar a xuxa para ela dormir. Acho que perceberam e deixaram de pedir.

 

Temos passeado bastante e isso tem contribuído para eu andar mais animada e aprender a gostar mais de estar aqui: Bom Jesus, Santuário da Senhora da Abadia, cidade de Braga, Ponte de Lima, Vila Verde. No Verão fomos à Apúlia e a Esposende. Tem sido muito bom visitar tantos locais espectaculares. Ainda não me adaptei à chuva e ao frio. Sim, ontem já se via a respiração.

 

E tem sido isto.

 

Beijinhos.

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2 comentários

De amulherdetrintaanos a 02.10.2012 às 23:33

Desejo-vos a melhor sorte para esta nova fase. E não pares de procurar um emprego melhor. A persistência aumenta realmente as possibilidades.

De pensamentosdecao a 09.10.2012 às 12:03

Os pequenitos adaptam-se sempre melhor que nós. Compreendo perfeitamente o que descreves na parte de procura de trabalho. As oportunidades que me têm surgido são exactamente as mesmas: trabalhar à comissão, sem ordenado base, sem horários, sem nada... As coisas estão mal e há quem se aproveite disso. Mas, nós vamos conseguir dar a volta a isto (pelo menos é o que me obrigo a pensar todos os dias...). Beijos grande para vocês e um especial para minha sobrinha linda :)

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