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por Vânia, em 01.04.08

Estatísticas ou a triste realidade

«Alimentação perde peso

nos gastos

     A maior fatia do rendimento das famílias portuguesas deixou de ser gasto com a alimentação. Esta despesa caiu 3,2 por cento em comparação com os encargos de há cinco anos. A prestação da habitação e as despesas relacionadas com a casa – água, luz e gás – subiram 6,8 por cento em cinco anos e constituem 26,6 por cento dos gastos dos agregados familiares nacionais, de acordo com o Inquérito às Despesas das Famílias ontem divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

     O estudo do INE, realizado de cinco em cinco anos, revela que as despesas com alimentação baixaram de 18,7porcentoem 2000 para 15,5 por cento em 2005, enquanto os encargos com casa, água, electricidade e gás passaram de 19,8 por cento para 26,6 por cento.

    O terceiro grande grupo das despesas dos agregados familiares nacionais é com os transportes – 12,9 por cento em 2005 – que ainda assim denota uma diminuição em relação a 2000, quando esta despesa rondava os 15 por cento.

    Contas feitas, só nestes três grupos de produtos as famílias gastam mais de metade do rendimento mensal (55 por cento) que, segundo os dados do INE, ronda os 1845 euros. Um número que fica bastante acima daquele que, segundo os dados do Ministério do Trabalho, é o salário médio mensal dos portugueses e que ronda os 840 euros.

    A diferença pode ser justificada pelas contas apresentadas pelo INE, segundo as quais apenas 81 por cento do rendimento do agregado familiar, ou seja, 1490 euros mensais, é monetário. Os restantes 19 por cento decorrem de produção própria, alojamento em casa de familiares e de pequenos arranjos.

     A análise do INE aos rendimentos per capita revela que são as famílias com crianças as que apresentam menor nível de rendimentos. Uma família composta por dois adultos e três crianças tem um rendimento líquido mensal de 2495 euros.

FAMÍLIAS COM COM CONFORTO BÁSICO

 

    Mais de 90 por cento das famílias vive com condições básicas de conforto: têm água, luz, frigoríficos e televisores. E mais de metade dos agregados dispõe dos novos equipamentos de lazer, entre os quais se destacam os leitores de CD, de acordo com a análise do Instituto Nacional de Estatística ao Inquérito às Despesas das Famílias. Situação que não se altera muito de região para região, ao contrário de indicadores como a distribuição de rendimentos, em que, por exemplo, Lisboa se destaca como a mais rica do País. Também no que diz respeito a computadores, é a região de Lisboa que se salienta, com este equipamento presente em mais de metade dos lares. O estudo revela ainda pormenores curiosos, como o facto de haver mais agregados com frigoríficos do que com água canalizada.

DEZ MIL AGREGADOS REGISTARAM GASTOS

 

     Mais de dez mil agregados – representativos da população portuguesa – discriminaram os gastos pessoais e familiares ao INE para a realização do Inquérito às Despesas das Famílias. Este é, com excepção do recenseamento, um dos maiores e mais aprofundados trabalhos realizados pelo INE. Rendas de casa, contas telefónicas, quotas para bombeiros, bilhetes de cinema, moedas para arrumadores e pagamentos a cartomantes são apenas alguns exemplos da variedade de campos que o INE pôs à disposição dos agregados durante 15 dias. Na maior parte dos casos os técnicos explicavam o que pretendiam e deixavam os livros para os registos mas, em muitos casos, com pessoas com dificuldades, ajudavam a descriminar as despesas, que se dividiam entre as mensais (como consumos de electricidade) e diárias (um lanche num café ou uma ida ao cabeleireiro). A generosidade dos milhares de portugueses envolvidos foi recompensada, apurou o CM, com uma oferta simbólica: um guarda-chuva.

    Os cerca de duas centenas e meia de técnicos envolvidos no inquérito fizeram cerca de 72 mil visitas e estiveram dois anos a trabalhar os dados recolhidos em todo o País ao longo de 26 quinzenas.

    Desde finais de 2006 que funcionários do instituto estão a trabalhar nos dados recolhidos, nomeadamente a extrapolar as respostas para o conjunto das famílias portuguesas.

HORTAS CONTÊM POBREZA

 

     O alojamento gratuito e as pequenas hortas ajudam a compor os orçamentos dos portugueses, atenuando mesmo 'o fenómeno da pobreza e da exclusão social', segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Uma conclusão possível graças ao pormenor do inquérito que tudo contabilizou, desde a galinha criada em casa até aos jantares oferecidos pelos amigos.

     Apesar de os rendimentos monetários constituírem a principal fatia dos orçamentos familiares, com um peso de 81 por cento, continua a ser significativa a importância dos rendimentos não monetários, com um peso de 19 por cento. Ou seja, dos 1845 euros de rendimento mensal médio cerca de 350 euros dizem respeito a alojamento e a bens oferecidos. Inclui-se aqui também os pequenos arranjos feitos por conhecidos.

ECONOMIA DAS FAMÍLIAS

 

Ganham 1845 €

Gastam 1467,26 €

Poupam 377,25 €

Um casal com uma criança gasta 1697 €

Um adulto (não idoso) 1018 €

Dois idosos 967,25 €

OS EQUIPAMENTOS DE LAZER NA CASA DOS PORTUGUESES

Os equipamentos de lazer nas casas dos portugueses

Unidade: %

Total / Norte / Centro / Lisboa / Alentejo / Algarve

Telefone - rede fixa 68,7 / 63,0 / 70,5 / 75,5 / 65,2 / 64,7

Telefone - rede móvel 81,4 / 80,7 / 76,5 / 88,8 / 72,3 / 80,4

Computador 43,9 / 40,9 / 40,3 / 52,6 / 36,6 / 43,5

Aparelho de televisão 96,9 / 98,8 / 98,8 / 99,3 / 98,0 / 98,8

Televisão por cabo/satélite 40,6 / 31,8 / 27,2 / 66,5 / 24,8 / 39,9

Videogravador 48,5 / 49,0 / 41,4 / 56,2 / 40,8 / 47,0

Câmara de vídeo 17,2 / 15,6 / 13,6 / 22,4 / 13,7 / 21,5

Leitor de DVD 49,3 / 49,2 / 38,3 / 60,4 / 40,4 / 50,9

Leitor de CD 53,4 / 50,6 / 45,2 / 65,8 / 44,5 / 55,1

Gravador de cassetes áudio 42,9 / 39,1 /  41,5 / 50,1 / 38,2 / 41,1

Aparelho de rádio 90,6 / 92,1 / 90,4 / 91,9 / 81,0 / 88,6

Gira-discos 23,0 / 19,3 / 19,8  / 30,8 / 19,7 / 22,4

Equipamento fotográfico 48,6 / 43,4 / 45,4 / 59,0 / 41,8 / 49,2»

 

in Correio da Manhã, 1 Abril 2008

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1 comentário

De guiga a 01.04.2008 às 17:30

Cada vez mais pobres! *.*

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